Quanto vale um pensamento? Qual o peso de uma ideia? O cheiro de uma divagação? Essas e outras perguntas sem respostas são o que traduzem um pouco do espírito deste blog. Pensamentos, poemas, relatos e divagações traduzidas em textos bem ou mal escritos, com ou sem sentido, simplesmente para aqueles que curtem passar o tempo enquanto as palavras fluem

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Crônicas da Pauliceia: Pelas curvas da Paulista



Retilínea, uniforme e precisa, cortando o coração da metrópole em seu rumo certeiro ao progresso. Cravejada entre os mais exuberantes arranha-céus e atravessando quase 3 km em meio ao concreto, ela reina absoluta. Centro turístico, comercial e de entretenimento, tudo junto e ao mesmo tempo, sem dar margem a qualquer curva que seja. Ora, mas não é só de certezas e lugares comuns que vive a Paulista.

Com pouco mais de 5 minutos de caminhada se pode ver brotando em suas esquinas e calçadas esses estranhos caixotes. Abarrotados de propagandas, anúncios, manchetes e novidades, do dia, do mês, ou até mesmo do ano, eles trazem essa promessa de certezas tão breves e descartáveis quanto o papel que se folheia e logo se joga fora. Mas não, não é só de lugares comuns e promessas breves que vive a Paulista.

Os olhos que ali chegam desesperados em busca do tal fato e da tal atualidade, cada vez mais fugazes nesses tempos de angustiantes tecnologias, não percebem o tamanho de sua cegueira. Arrogantes e impacientes, não veem o universo que lhes aguarda nos quatro cantos daqueles caixotes, rompendo certezas, pressas e horários, num convite difícil de recusar. Ora, não é só de fatos cotidianos e novidades que vivem as bancas da Paulista.

Em um destes muitos cantos se pode encontrar, sentado impaciente, calado e sagaz, os olhos de um bruxo esperando a próxima vítima de sua ironia, muito bem registrada nos receituários de um médico alienista. Ao seu lado descansando em sua sabedoria milenar está um velho chinês e suas lições, que de autoajuda (essa irritante moda do século XXI) não tem nada, mas consegue fazer da guerra uma arte.

Não é preciso procurar muito mais para logo encontrar ali um pedacinho da Itália renascentista, e entender que de políticos maquiavélicos o mundo sempre esteve cheio. Para os menos afeitos a sabedorias e ensinamentos antigos pode-se encontrar logo mais à frente a detalhada natureza do homem, descrita pelos olhos certeiros de um francês, e germinando nua e crua sob o suor do trabalho tão necessário.

Ah! E por que não os saborosos ares latino-americanos, narrados impecavelmente nas memórias tristes de um senhor colombiano à procura de paixão, ou então nos poéticos sonetos, que não deixam dúvidas da beleza do amor de um memorável chileno.  

Pena que todos estes, e mais vários outros senhores e senhoras, acabam quase sempre esquecidos. As curvas e nuances de suas histórias não parecem combinar com o tom certeiro daquela avenida sobre a qual caminha toda uma geração escondida em seus tristes confortos. Bombardeadas pelos ritmos rápidos de seus fones de ouvidos e vidradas às corridas de palavras e imagens em suas minúsculas telas, muitas das pessoas que por lá transitam acabam se acomodando em ilusões fugazes. 

Ora, mas quem poderá afirmar com certeza quais caminhos são traçados ao longo da retilínea Avenida Paulista? Afinal de contas, não é só de progresso e de pressa que vive essa gente da pauliceia. Pelo menos é com isso que contam os caixotes da paulista, já que, definitivamente, não é apenas de lugares comuns que se vive aquela avenida.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Crônicas da Pauliceia: Quando a minhoca de metal se revirou

Os olhos inquietos, os braços e pernas gesticulando inocentemente e o semblante que não poderia ser mais ingênuo. Com seus pouco mais de 50 centímetros lá estava a singela figura a percorrer os subterrâneos da maior cidade brasileira. Sem se dar conta ele era mais naquela gigantesca minhoca de metal a cortar o subsolo também conhecida como metrô.

Sim, aquela máquina de aço devoradora de gente preparava-se para degustar seu mais novo aperitivo. Acostumada aos mais diferentes sabores, tipos e gêneros, a silhueta daquele jovem bebê no colo da mãe lhe parecia mais uma refeição de fácil digestão. Ah e como eram saborosas aquelas carnes novas ainda assustadas em seus primeiros passos pelos vagões! A ingenuidade, estranheza e até um certo deslumbre diante da panaceia tecnológica a lhes ditar o ritmo incessante e preciso da cidade, tudo isso realçava o sabor dos milhares de novos passageiros prestes a serem abatidos. Mas, com aquele bebê, a história seria indigesta.

O destino, que nunca foi de guardar muitas surpresas a quem se aventura pelos submundos do metrô, parecia haver guardado algo especial para aquele bebê. Até então, a história de quem passava pelos vagões seguia um roteiro de praxe: nas primeiras passadas um deslumbre quase virginal ao se aventurar pelo subterrâneo, nos  dias seguintes uma leve sensação cansada de rotina que começa a crescer e, com o passar dos meses, o silêncio catatônico de quem tem muito a fazer e pouco para contar.

Mas os gestos espontâneos, a vivacidade no rosto a olhar para os lados sem outra preocupação senão a da descoberta, e um sorriso espontâneo a deslizar por baixo dos olhos brilhando faziam a minhoca de metal se revirar. E da voracidade insaciável do metrô brotava a inesperada semente de uma paz, até então esquecida pelos trilhos.

Sim, caro leitor, em meio aos que perambulam semi-acordados em seu universo de limites delineados por não mais que a extensão dos fones de ouvido existe espaço para uma paz legítima. Paz de quem não virou uma peça de silêncio já digerida como mais uma engrenagem insalubre do metrô, de quem se compromete ao silêncio da apreciação, de quem está disposto a encher-se de novas experiências e não a ser uma tábua rasa saturada do próprio vazio.

Foi então que a ingenuidade de uma criança ainda não digerida fez a minhoca de metal se arrepiar. Não pelo vento frio que começava a correr pelo terreno mais que revolvido da metrópole, mas pela lembrança que a cena fez brotar em um observador ali próximo. Este mesmo que agora escreve com saudades de uma ingenuidade simples e bela, essa pureza que nos é arrancada cotidianamente, privando-nos de sentir a descoberta incessante do passar dos dias para sermos digeridos como (mais) um composto insosso.

Naquela tarde a viagem de metrô acabou rápido para o bebê e sua mãe, que logo chegaram ao destino. A minhoca seguiu sua viagem incessante, mas agora estranhamente indigesta.  E a este observador ficou a certeza de uma rota ainda incerta, o caminho das aventuras descompromissadas, dessas que não se deixam ser engolidas apenas para serem regurgitadas na próxima estação. Mas essa já é uma outra viagem.







domingo, 14 de abril de 2013

A incrível batalha



A brisa refrescante, o toque sedoso das nuvens, os raios de sol cortando o horizonte num calor que amaciava a pele, o perfeito cenário para uma viagem que ia se fazendo inesquecível. Mas eis que o sereno voo se depara com o incompreendido, e a liberdade de até então parece sufocar-se. Infortúnio causado por uma estranha corda que se prende ao tornozelo direito e, de súbito, puxa o fugaz corpo ao chão. Logo o deserto de areia espalha seu toque por todo o corpo, num despertar pouco suave, como uma dolorosa dose de realidade. Poderia ser mais uma obra de Fellini, ou um devaneio surrealista, mas o incômodo daquela corda se revelaria mais real que o estranho cenário parecia sugerir.

Sem ao menos ter tempo para se levantar, o homem, devidamente encaixado em seu terno e sua calça de trabalho, continua sendo puxado. Em meio ao tapete de areia que lhe roçava todo o corpo, ele pôde aos poucos perceber para onde aquela corda o levava, uma construção cilíndrica, com o teto em forma de abobada, e um portão de entrada vistoso com quase 4 metros de altura, tudo com um estranho ar de um templo religioso. 

Sem conseguir se soltar da corda a tempo, ele logo se viu dentro do prédio incomum que jazia solitário em meio ao imenso deserto. Os portões agora se fechavam, e quando se deu conta de que a corda o levava, cada vez mais intensamente, para uma entrada onde não se podia ver o fim do outro lado, seu desespero aumentou. Então, percebeu uma pedra grande que, fixada no centro da cilíndrica construção, lhe serviu de última salvação.

Agarrado com uma vontade que transpunha seus limites corpóreos e parecia querer fundir toda sua existência àquele frio bloco mineral, ele conseguiu livrar-se da corda, ainda que ao custo de seu sapato direito. O alívio logo veio, mas o corpo, ainda enrijecido pelo susto, ia se dando conta aos poucos do estranho cenário onde havia parado. Ao rodear o local com o olhar, logo se deu conta de que todo o interior do prédio não era mais que um grande espelho, refletindo sua singela silhueta, para onde quer que olhasse. Apenas ao fundo, próximo a onde a corda o tentara levar, havia duas outras entradas. 

De um lado, uma entrada demasiado pequena, por onde ele mal passaria ainda que usasse de toda sua flexibilidade e esforço. De outro, uma entrada no formato de um estranho corpo que, tal qual a primeira, ele certamente mal conseguiria passar. Tudo isso somado ao assustador vazio que jazia do outro lado das duas passagens, contribuiu para que ele logo pensasse em alternativas antes de se sucumbir ao desespero e arriscar algum dos caminhos disponíveis.

Com o olhar percorreu toda a sala, buscando minuciosamente cada canto e detalhe na procura de alguma saída para aquela situação. Em pouco tempo suas esperanças começam a se esvair, mas antes de se esgotarem totalmente ele percebe que a pedra que o salvara começa a mudar de forma. Aos poucos um espelho vai surgindo do meio da rocha e assumindo seu espaço enquanto essa se desmanchava. Com o formato retangular, a peça tinha a mesma altura do homem, que logo percebeu como seu reflexo estava diferente naquele espelho central.

Diferente das outras, a imagem refletida não se movia e apresentava um sorriso estranhamente assustador. O homem então se aproximou do espelho e, percebendo que a imagem não respondia às suas ações, sentiu um calafrio percorrendo sua espinha. Ao chegar a um palmo de distancia do espelho, seu estranho reflexo começou então a se mover e lhe encarar. Mais do que medo, o homem logo viu que, por trás de seu estranho reflexo, jazia o brilho do que parecia ser uma chave, sua única chance de saída dali. Ele então se deu conta da mais dura batalha que iria ter que travar ali, a incrível disputa dele contra ele mesmo.
  

sexta-feira, 8 de março de 2013

Porque não comemorar o dia das mulheres


Bem, é chegado mais um 8 de março e com eles todas as comemorações, recordações, protestos e reflexões sobre este que ficou estabelecido como "o dia da mulher". Como todo homem, sinto-me no dever de parabenizar todas as mulheres que, certamente, merecem seu reconhecimento.

Todavia, mais do que uma simples felicitação, acho importante dar minha contribuição com algumas reflexões, e mesmo provocações, à todas as mulheres. Por isso decidir escrever esse breve texto que se segue, minha singela homenagem para elas que devem, e merecem, ir além de suas conquistas até aqui:

Porque não comemorar o dia das mulheres:

porque suas lutas por respeito e dignidade não se dão em uma comemoração específica,
mas em inúmeras situações do dia a dia.
porque elas são mais que um gênero ou um cromossomo específico,
porque elas não são apenas mais sensíveis e emotivas que os homens,
e tampouco são apenas mais resistentes à dor,
ou capazes de fazer mais tarefas ao mesmo tempo,
elas são tudo isso e muito mais!

porque não são maquiagens, roupas e assessórios que as fazem belas,
pois elas não são meros estereótipos de beleza.
porque muitas ainda não se deram conta disso,
e descobriram o quão maravilhosas podem ser,
simplesmente por serem autenticas.

porque muitas vão sempre achar defeito no próprio corpo, 
e não vão se considerar boas o suficiente para os desafios da vida,
porque muitas vão dar mais valor do que deviam às pessoas erradas,
e vão se iludir e se decepcionar.
porque elas não são apenas vítimas de seus medos e ansiedades,
elas são isso e muito mais

porque todo homem que se preze sabe o quanto precisa delas,
porque não são apenas um "sexo frágil",
e tampouco são apenas feministas que lutam por seus direitos.
porque, afinal de contas, nenhum homem sabe o que é menstruar,
e tampouco sentirá as dores e desafios de dar àa luz.
porque ser mulher certamente não deve ser simples,
e tampouco fácil
e ainda assim elas tiram de letra.

porque nenhum homem jamais vai entendê-las por completo,
porque elas simplesmente são tudo isso e muito mais!


E pra fechar com chave de ouro, uma música de um cantor que sabe, muito melhor que eu, traduzir um pouco o que são as mulheres:

















domingo, 3 de março de 2013

(In)cômodo




É o amanhã é o amanhã,

que bate ululante à porta,

sem aceitar calma,

e nem querer saber de prazo

te consumindo nessa cafeína,

de desculpas esdrúxulas,

e angústia repentina


É o amanhã é o amanhã,

contando seus segundos em pixel por polegada,

enquanto sua vida se preenche no vazio da tela,

surfando as vãs palavras,

na maré de bits em busca de uma resposta,

ou será a pergunta que não cala?


É o amanhã é o amanhã,

e não adianta se esconder,

nesse doce amargo de ilusão,

que apenas te impede de ver,

a vida que pulsa no mais ínfimo âmago do seu ser


É o amanhã, é o amanhã

a cruel dúvida que jaz na fechadura da porta,

entre a dor que liberta e a certeza que conforta,

e pelo feixe de luz

o buraco se faz porta,

à espera do sentimento

que incomoda

domingo, 13 de maio de 2012

Pescador de Ilusões



Pesca pescador,
de ambições mesquinhas,
dúvidas enfadonhas
e desilusões à deriva.
Pesca pescador,
neste mar do pós-moderno,
onde figuram utopias
a beira do abismo,
e no horizonte a imensidão
do azul vazio.
Pesca pescador,
à procura daquilo
que a paciência sozinha não é capaz de encontrar,
e tampouco sua rota
é capaz de alcançar.
Pesca pescador,
E quem sabe na ponta do anzol
Talvez apareça,
Capturada na mais obscura das profundezas,
A ilusão de uma vã certeza
Só não se esqueça de ficar de olho na maré,
Que de súbito tudo engole,
Tornando sua empreitada
Mais uma crônica desiludida
Como a do homem que tudo pesca
Enquanto sua história passa despercebida










No meio do caminho...uma praça

O calor do sol se esparramava pelo cimento e como que numa ânsia se elevava pelo ar, espalhando o árido torpor que lhe secava o tronco num castigo lento e duradouro. Era a marca do que a natureza, passando pelo crivo do homem, exibia desgostosa. E não era a única, tampouco a primeira. E ali, sobre o gramado seco rodeado por aquele estranho tapete de cimento, espalhado com as mais diversas cores e texturas, jazia o fino tronco de uma árvore. Em seus primeiros anos de vida, ela nem sabia ao certo que tipo de árvore era e se um dia viria a se tornar vistosa e com frutos a carregar sob os galhos como as árvores que, por vezes, via em cartazes e propagandas ali por perto.
Passagem, era a melhor palavra para descrever sua vida naquele lugar. Rodeado de ruas, um concreto estranho pintado por listras entre as quais correm bufando e impacientes os blocos de metal chamados carros, seu espaço se resumia a um contorcido círculo de uma tranqüilidade quase mórbida. No chão onde se firmava, a grama verde preenchia um pequeno espaço da área da praça, destinada, nada mais, nada menos, do que para a passagem de pessoas. Foi então que a pequena árvore começou a se incomodar com algumas perguntas que lhe eram recorrentes em sua vida ali, fixada como um ponto perdido no concreto sufocando-se aos poucos pelo calor.
A começar pelo gramado sobre o qual se erguia, um verdadeiro tapete cuja vivacidade se desbotava como o verde da grama ressecada. Era o ar pesado, impregnado da negra fumaça que escapava dos carros, subjugando-a a sua angustiante sina. Tão densa quanto a fumaça que abafava o ar ali era a prepotência humana, penetrando por entre os sulcos e circulando dentro das gramíneas, que tentavam exalá-la com amargo desafeto num pedido de misericórdia. Ora já não bastava ter cercado a grama com o concreto sufocante, os homens ainda a utilizavam de mero enfeite, um capricho para enfeitar um pouco mais “seu” espaço urbano. E ela só não sucumbia graças aos jatos de água automáticos que diariamente revigoravam seu verde, a essa altura tão artificial quanto o ego humano se importava que ela fosse.
Mas as inquietações da pequena árvore iam além do gramado e, passando pelas fronteiras das ruas e pelos passeios, chegavam aos prédios. Mármores, pedras, vidros e concreto, muito concreto, era a paisagem que lhe assustava. Nunca entendeu muito bem como e nem por que tamanha ambição havia tomado conta dos homens. A cada fachada vistosa e prédios portentosos se projetando ainda mais alto para o céu, o singelo tronco se sentia não menos sufocado do que ameaçado pelas desconhecidas intenções que se mascaravam naquele cenário. Afinal de contas qual seria o lugar do homem senão entre o intangível do céu e a firmeza da terra?
E enquanto refletia sobre tantas questões, sua existência lhe parecia simplesmente indiferente naquele mundo. Sobre o calor torturante e o ar que aos poucos lhe sufocava como um lento veneno, a árvore sobrevivia tentando encontrar algo naquele desolador cenário que, se não respondesse suas dúvidas, ao menos lhe mostrasse algo em que acreditar. Foi então que se deu conta, por um breve intervalo de tempo, que por aquela praça estavam passando algumas pessoas. Como sempre indiferentes, como sempre correndo, aqueles transeuntes tinham a dádiva de poder se locomover, que tanto invejava a aprisionada árvore. Mas por alguns instantes eram como ela e a pouca vegetação que sobrevivia ali, um insignificante ponto naquele espaço rodeado por carros, prédios e as mais obscuras e exageradas ambições.
Alguns carregavam bolsas nas costas, outros nos ombros, alguns conversavam concentrados com um pequeno aparelho que ela havia descoberto há pouco tempo se chamar celular, outros, por sua vez, sem carregar nada apenas seguiam os ritmados passos. Curiosamente estavam sempre atentos àquelas luzes nos cantos das ruas que pareciam controlar a liberdade de locomoção tão almejada por ela. Notou bem como que, sem exceção, os olhos daqueles pedestres pareciam distantes, como se aprisionados a vários pensamentos e preocupações que, no fundo, faziam as pessoas indiferentes a elas mesmas. Eis então que o pensamento mais assustador e estranho lhe aflige: Entre o céu e a terra não seria o lugar do ser humano a prisão criada por sua própria ambição? E assim se foi mais um dia daquele inocente tronco, entre reflexões e indagações daquele ser e sua indiferente existência. Afinal a praça era apenas uma passagem de pessoas, mero detalhe no caminho das ruas e prédios a verdadeira razão de ser do espaço urbano, essa perversa mascara da ambição humana.